21/03/2010
Música...
Talvez um dia seja possível transmitir sentimentos, quem sabe.
Ela não o sabia...
Aquela musica vinha de algum lado. Não era comum. Não naquele ambiente de alcool, tabaco e, muito certamente, drogas.
Aquela não era música que se misturasse com aquilo!
Seguiu o som na expectativa de encontrar a origem daquela música. E algumas ruas à frente a arte era feita por um grupo de músicos que tocavam em frente a um bar... Era mágico!!
A musica saía dos instrumentos como um rio da nascente,tão fluída, tão pura! Aquela era a música da sua gente e sem conseguir explicar ela sentiu-o no corpo, ela sentiu-o na alma.
Aquela música entrava-lhe no corpo e falava-lhe! Como explicar algo assim? Como podemos nós com séculos de história, que embora não a conheçamos nos seus mais giros ou mais sórdidos detalhes, nos está escrita no ADN. Há sempre algo em nós que nos faz viver algo que não nos pertence directamente, que nos transporta para um tempo que não é o nosso, elabora memórias que não vivemos.
A noite milenar ainda era uma criança! Fantástico! Quando tiver um milénio também quero ser criança! Quero ser menina pequenina! Talvez noutro tempo, noutro espaço isso possa acontecer, neste não.
Ela estava enfeitiçada! A música falava-lhe e ela ouvia. O corpo pedia e ela cedeu aos seus caprichos!
Não vou ser para sempre menina pequena, há que aproveitar!
A idade não tem tamanho, o Tempo não tem idade e a noite é de facto criança. E nós somos crianças para sempre!
É criança quem consegue sonhar, quem se consegue entregar a um instinto tão básico. Não importa quem olha, não importa tem vê!
A música continua no ar e o seu corpo falava-lhe como a um amante!
A música acariciava-lhe o espírito e conduzia-lhe o corpo.
A noite era sua. Aquela música era sua e ela fez-se dela. Queria nascer em cada nota. Queria a eternidade do momento. Queria viver!
E o corpo movia-se ao sabor da música e esta parecia querer mais dela, mais e mais... Ela não se importava. Há muito que tinha esta relação com a música. Mas aquela música, aquela música... Era algo que fazia parte dela e ela de alguma maneira sabia-o, sentia-o.
Há dias em que acontecem destas invulgaridades... Há noites destas e momentos que se querem eternos!
A eternidade instantânea está ao alcance de qualquer um: 'Eterno enquanto dura!' Um instante de felicidade para quem quiser viver realmente.
A última nota soou e desapareceu no vazio da trivialidade so quotidiano de mais um sábado á noite.
Parou de dançar e saiu do seu estado de transe. Aplaudiu e foi-se embora satisfeita.
Um pedaço de si foi vivido na eternidade de um momento!
01/03/2010
Uma página da nossa História!
Quem somos, porque o somos...
Só sabemos o que nos contam, e quem conta só conta o que quer e como quer...
Mas há mais, há sempre algo mais que ficou por contar. Tá toda uma história, quase milenar que nos sustenta como povo. Uma história que nos fez...
E porque é que me lembrei disto agora... Pois bem, andei a fazer umas pesquisas históricas digamos... E o que me trás hoje é a Guerra Colonial!
Não é um assunto alegre, não é uma página de história de que nos orgulhemos, mas aconteceu e não há razão para o esconder! Não o podemos esconder!
À dias andei a ver as cadernetas militares dos meus avós e quando se procura alguma coisa acaba-se sempre por descobrir mais... apercebi-me que enquanto estudante nunca me falaram sobre esta página negra da minha história!
Eu vi imagens da guerra num livro que na altura conseguiu passar despercebido na bagagem de um militar... Nesse livro eu vi pessoas mutiladas, decapitadas, corpos cortados, homens mortos enterrados até à cabeça e crianças assassinadas, sim, porque nem as crianças, que eram inocentes, escaparam!
Brancos e negros, homens e mulheres! Eu vi o que o estado novo tentava esconder... Há sempre alguém que encontra e guarda uma verdade para que mais tarde seja descoberta...
À algum tempo, alguém ligado ao cinema afirmou que se podiam fazer tantos filmes sobre a guerra colonial como os que há a contar a Guerra do Vietname...
Temos tendência a não querer lembrar as negras páginas da história, especialmente quando se trata da nossa história. Mas a verdade é que isto não devia ser escondido, isto devia ser dado nas escolas, assim como o é a 2ª Guerra Mundial!
Quando vi aquelas imagens, pensei 'Porque é que nunca ninguém me contou sobre isto!" Claro que eu já sabia que a Guerra Colonial tinha existido, mas não sabia como tinha sido.
Ouvi histórias sobre o quão mal informados e ignorantes iam os soldados portugueses para África, histórias sobre o como essa ignorância foi paga em vidas humanas. Contas que depois eram acertadas em batalhas, onde sempre havia homens que morriam,fosse de que lado fosse...Morreu quem tinha e quem não tinha que morrer.
Quem volta nunca conta tudo! Quem volta trás consigo lembranças que quer esquecer! Que daria tudo para esquecer...
Quem volta trás consigo a morte!
A morte daqueles que, por ventura, teve que matar para que não fosse morto, a morte daqueles viu morrer e a morte que viu nos olhos dos que já jaziam mortos...
Quem volta nunca recupera completamente e quem lá fica também não. Todos temos os nossos fantasmas! Mas à pessoas que têm a própria morte como fantasma...
Há factos que não devem ser esquecidos pelas lições que nos deixam, e este é um deles!
23/02/2010
Tempo II
Acordou com a porta a destrancar-se atrás de si.
'Adormeci...' disse confusa. Tinha feito uma longa viagem até ao Tempo, estava cansada e por isso adormeceu. ‘Queria tentar compreender...’
Olhou em volta, mas a rua que outrora ali estivera continuava desaparecida, e no lugar do Espaço continuava a tabuleta com a informação de o Espaço se havia mudado para um "lugar mais oportuno".
Consultou seu relógio mas nada! Continuava vazio... 'Assim também não me serves de nada!' Tirou o relógio do pulso e guardou-o na sua mala. 'Bem, parece que vou ter que me contentar só com o Tempo'. Virou-se para entrar no edifício e reparou que havia um letreiro de boas vindas. Abriu a porta que estava encostada e entrou.
A porta voltou a encostar...
'Bom dia...' cumprimentou ela a sala vazia, na esperança de que aparecesse alguém.
A verdade é que ela também já não sabia bem em que altura do dia se encontrava, mas isso pouco importava, finalmente tinha conseguido entrar!
Ninguém lhe respondeu de volta.
Dirigiu-se ao balcão que se encontrava em frente àquele magnifico relógio, que continuava sem ponteiros, e reparou que pousado sobre o tampo estava uma folha de papel algo gasta. No topo da folha e a letras grandes estava escrito "Caro Visitante". 'É para mim' constatou.
Seja bem vindo/a ao Tempo!
Este edifício é composto pelo rés-do-chão (onde se encontra neste momento), por um primeiro piso e por uma cave.
Não existe qualquer funcionário para auxiliá-o/a.
Terá o tempo que quiser e o edifício todo à sua disposição, pode entrar onde as portas o/a deixarem, mas todas as respostas que procura terá que ser você a consegui-las a partir do que vir e descobrir.
Esperamos que encontre as respostas que procura.
Atenciosamente
A Gerência
Sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. 'Só estou cá eu! Então, mas quem abriu a porta... Bom dia, está aqui alguém! Quem abriu a porta!?'
Desistiu, ninguém lhe respondia. Olhou à sua volta e começou a reparar no espaço que a rodeava. Era uma sala quadrada ampla sem grande decoração. Havia três quadros, um em cada parede fazendo alusão à 'Primavera, Verão, Outono e Inv... Onde está o Inverno?' À sua frente continuava o grande relógio com a numeração de ouro. Afastou-se um pouco do balcão e apercebeu-se que estivera encostada ao quadro ilustrativo do Inverno. Era uma imagem interessante... Quem de fora olhasse atentamente de frente para aquele cenário veria a tabuleta a dizer "Presente", logo em baixo o relógio e logo a seguir o quadro ilustrativo, sem que se apercebesse que o quadro estava colado a uma bancada. 'Curioso...' Murmurou enquanto meditava sobre isso.
'Bem, já chega de conversa, ao trabalho!'
Iria começar pelo Passado. Dirigiu-se à tabuleta à sua esquerda e desceu pelas escadas em espiral que a encaminhariam ao Passado. Quando desceu o último degrau deu de caras com uma sala. Não havia porta a separar o presente do passado... Deu alguns passos em frente e de repente o espaço à sua frente encheu-se de imagens que eram seguidas de outras imagens, umas formavam uma sequência de acontecimentos, outras eram apenas imagens desconectadas umas das outras, que iam passando.
Olhou para as paredes à sua volta e continuava a ver imagens. Olhou para trás e nada. Atrás de si estava apenas a escada por onde tinha descido. Parecia que as imagens vinham do presente... 'Até tem lógica que assim seja, e isso explica o facto de não haver porta... Sim, faz sentido!" Voltou a concentrar-se na parede em frente às escadas. Olhou melhor para aquele filme de imagens desconexas e aquelas imagens pareceram-lhe familiares. Reconhecia algumas situações. Eram imagens e situações que lhe pertenciam, que faziam parte de si. Aquele filme de imagens desconexas era o seu passado. Olhava atentamente para o seu passado 'Como o tempo passa...' Os seus olhos encheram-se de lágrimas ao rever algumas imagens.
Voltou a si recordando-se de que ainda tinha muita coisa para fazer e não tinha noção do tempo que já tinha passado desde que adormecera...
Virou as costas ao seu passado e subiu as escadas.
Lá em cima estava tudo como havia deixado. 'Que estranho... Agora: Futuro' e dirigiu-se às escadas em forma de espiral que se encontravam do lado direito do fundo da sala. Quando chegou lá a cima tinha à sua espera uma porta da mesma madeira que a caixa do grande relógio e igualmente bem trabalhada. Ia rodar a maçaneta quando reparou que não havia maçaneta, nem qualquer outra coisa que permitisse abrir a porta 'Mas, mas..."...pode entrar onde as portas a deixarem..." Ah! Então era isto que isso queria dizer...' ainda tentou forçar a porta mas esta não se mexia...'"...todas as respostas que procura terá que ser você a consegui-las..." Está bem, já percebi' dizia ela à sua memória, 'Bem, sendo assim não tenho mais nada a fazer aqui...'
Desceu as escadas lentamente, ainda intrigada, tinha apurado a audição, não fosse a porta abrir entretanto... Deslocou-se à porta de saída, virou-se de frente para a loja para poder aprecia-la uma vez mais... 'Mas porque raio é que a porta não abriu??'
E saiu.
20/02/2010
Uma Janela Para o Infinito
Há umas semanas acabei de reler um livro que tem por titulo "Uma janela para o infinito".
Comprei-o por ser uma espécie de biografia de George Cantor, um dos meus matemáticos preferidos. O livro fala sobre um matemático que é internado numa clínica psiquiátrica e que ganha como companheiro de quarto um soldado francês.
Fiquei fascinada quando li o livro pela primeira vez! As matemáticas que Cantor criou ou descobriu, dependendo da perspectiva, são fascinantes. O livro não fala de toda a matemática produzida pelo senhor, mas permite-nos ter uma ideia muito clara e muito bela sobre a noção de conjunto e sobre o infinito.
Antes de Cantor o infinito era encarado como uma espécie de tabu pelos matemáticos, ninguém sabia muito bem como deveria tratar o problema. Quando Cantor apareceu com as suas ideias foi ridicularizado, pois os conceitos eram novos e inovadores, mas a verdade é que o seu contributo foi importantíssimo, ao ponto de um dos grandes matemáticos da sua época ter dito "Ninguém nos poderá expulsar do Paraíso que Cantor criou." (David Hilbert).
Mas voltando ao livro em questão!
Fiquei fascinada também por perceber que é um livro que fala acima de tudo do ser humano e das suas fragilidades. Um livro que nos questiona sobre nós mesmos, o que somos, quais os nossos limites...
A matemática em questão é explicada de maneira simples e acessível, qualquer pessoa que tenha uma mente aberta e não tenhas preconceitos relativamente à matemática, facilmente entenderá o que é explicado.
Ok, é uma matemática diferente à que é dada até ao 12º, mas talvez seja mais simples e haverá um ou dois momentos em que algumas respostas serão menos óbvias e de certa forma estranhas, por falta de expressão melhor. Mas isso faz parte do charme da Matemática.
Deixo aqui um excerto para aguçar a curiosidade:
"...sempre estive convencido de que temos algo que ver com o infinito.
A voz de Herr Singer engrossou.
-Quando digo «temos», quem é o «nós»? Pois bem, o senhor, eu, toda a gente. Os homens. É mesmo a nossa principal característica. Creio que é esse conluio com o infinito que faz de nós os homens que somos, sem dúvida, mais que a certeza de morremos um dia. Talvez as duas coisas estejam ligadas, quem sabe?... (...)
-Isto é tanto mais verdade nos homens que foram encaminhados, como nós, para estabelecimentos de cuidados de saúde deste tipo: os insanos, os nervosos,os alienados têm, mais do que os outros, algo que ver com o infinito. É mesmo o seu tópico mais premente. Porquê?"
Uma Janela Para o Infinito, Denis Guedj
Já agora onde há mais pontos: num quadrado ou numa das suas arestas?
Esta foi uma das questões a que Cantor deu resposta, e uma resposta bastante improvável diga-se, mas ao mesmo tempo bastante interessante!
É um livro que aconselho vivamente!
19/02/2010
Publicidade
Há alguns dias estava a ver um anúncio publicitário e devo dizer que me chamou a atenção por ser extremamente estúpido!
É um anuncio a um creme para as borbulhas, e basicamente consistia numa adolescente que desmarca um encontro com um rapaz de quem gosta porque está a sentir uma borbulha a nascer. Mas que estupidez!!
Primeiro, ok as borbulhas são um problema, mas nenhuma rapariga deixa de sair com o rapaz de quem gosta por uma borbulha que ainda nem nasceu e que nem ela sabe se vai nascer.
Depois é um objectivo da publicidade fazer com que o espectador se identifique de certa forma com a situação e queira adquirir o produto. Que imensas adolescentes deste país queiram e precisem de creme para as borbulhas é um facto, mas não deixam de sair com rapazes por isso!
Outra coisa interessante na publicidade em gera, é que as pessoas que fazem os anúncios a certos produtos pareçam saídas de revistas de moda, e nunca ninguém diria que alguma vez tenham tido problemas para que tivessem que recorrer ao que anunciam, e isto é mais notável no que diz respeito a cremes de beleza e cereais para manter a linha.
Talvez mais nos cereais, porque relativamente aos cremes de rugas, hidratação, etc. sempre se pode dizer ' Se quer ter uma pele como a minha use X'.
Mas os anúncios a cereais para manter a linha são anedóticos! As raparigas/senhoras que aparecem em primeiro plano a ver se conseguem passar a imagem de que não cabem nas calças são MAGRAS! Na cena seguinte em que, depois de não sei quantas semanas de consumo dos cereais já conseguem caber nas calças, estão na mesma! Não emagreceram nada! Ou as calças são as mesmas ou deram-lhes um número acima, mas as pessoas que fazem os anúncios estão exactamente na mesma!
Havia um programa na SIC Radical que mostrava anúncios publicitários do arco da velha, mas era muito interessante, alguns eram tão bons como uns que passam neste momento nos canais televisivos, enfim...
O que vale é que também há boa publicidade!
01/02/2010
Um Curso...?

18/01/2010
Nova fase
Resolvi fazer umas reformas no Método.
Depois de alguma meditação, acredito ter encontrado uma solução para o facto de não ter tempo para publicar e para a falta de tempo para ler outras publicações.
Devido também ao facto de eu estar a viver uma nova fase pensei que não fazia sentido que o blogue continuasse na mesma. Achei então que também devia começar uma nova fase na blogoesfera.
Aleph porque designa um dos conjuntos infinitos de Cantor (matemático alemão) e porque a imaginação não deu para mais...
Espero que seja uma nova boa fase :)
Até à próxima!!
21/12/2009
Boas Festas!!!

31/10/2009
Texto...
Esta frase perseguia-o para onde quer que ele fosse. Era o peso da consciência que o atormentava. É interessante constatar que mesmo nós próprios podemos ser irritantemente massacrados por nós mesmos!
É como se, dependendo do que sucedeu o nosso ‘eu mesmo’ achasse que não fomos o suficientemente castigados pelos outros. E o remorso é o pior castigo.
A mãe desde pequeno que lhe dizia esta frase “És sempre responsável pelas escolhas que fazes!”, a mãe sempre lhe incutira desde pequeno a noção de responsabilidade. “É bom que eles percebam que os pais não lhes irão resolver todos os problemas e que lá fora a sociedade não perdoa”, era o que a sua mãe dizia para calar quem tentava opinar sobre a educação do filho.
A mãe tinha razão ‘A mãe tem sempre razão!’ pensava enquanto conduzia a alta velocidade por uma qualquer estrada nacional… Tinha saudades da mãe havia dois anos que não a via, que não falava com ela… Ela sabia que o filho estava vivo e isso bastava-lhe. O seu coração de mãe assegurava-lhe as mais fidedignas informações sobre o estado do filho. O que noves messes e um cordão umbilical não garantem a uma mãe! Especialmente como acontece no caso deste homem: sempre foi muito ligado à mãe.
Mas havia passado o risco! Quebrado a regras do jogo! E agora apenas ele poderá responder pelos seus actos.
Acelerou. O carro estava no limite. Antes que pudesse ter noção do real o carro chocou com um camião. Nem reparou que ia em contra mão. Para ele também já não importava… Já nem os erros que havia cometido importavam… nunca mais voltará a errar. Está morto. Alguém haverá de resolver as suas ‘contas pendentes’. Ou não…
13/10/2009
Começo
E com ele foi-se a esperança num novo começo. Algo por que havia trabalhado durante meses a fio. Algo por que havia ansiado com todo o seu ser. Acabou.
Sabia que tinha dado o seu melhor e que tinha feito tudo o que estava ao seu alcance, mas isso não foi o suficiente. O seu melhor não era suficiente…
Estava sentada na praia a olhar para o mar. A ouvir os seus ensinamentos milenários. Estava a ouvir-se.
O que lhe custava mais era encarar as pessoas quando lhe perguntavam o resultado… O olhar de pena… pena… Nunca sentiu pena de si em nenhum momento. Frustração, raiva, cólera e talvez alguma desilusão sim, foram esses os sentimentos que lhe explodiram no peito e que se espalharam pelo corpo.
Mas nunca sentiu pena. Teria sentido pena se não tivesse tentado, teria sentido pena se não tivesse dado o seu melhor. Por isso sentia-se triste, quando pessoas sentiam pena dela...
Pensou que se calhar aquele novo começo talvez não lhe estivesse destinado, talvez houvesse outros começos diferentes, outras aventuras, outros inícios à sua espera, mas que aquele não lhe pertencia.
Olhou para o horizonte, e um sentimento imenso de vontade e ambição invadiu-a.
Naquele momento desafiou o horizonte os céus e os deuses “Eu faço o meu destino!”.
Levantou-se e lançou ao mar um olhar de desafio, como muitos, antes dela o haviam feito, talvez por razões diversas, talvez pela mesma razão... Sorriu para si e para o mundo e seguiu o seu caminho decidida, como numca, a fazer o seu proprio destino.
26/08/2009
Tempo
Foi o letreiro que encontrou à entrada do Tempo. ‘Já cheguei tarde… Ou terei vindo cedo?’ Olhou à volta à procura de uma indicação da hora de abertura e encontrou um pequeno papel em baixo do letreiro que dizia: “Abrimos à hora certa”. ‘Hora certa…?’ pensou confusa ‘Bem, passo depois, pode ser que já esteja aberto.’ Olhou para o relógio, mas este estava em branco. Nem sinal dos ponteiros nem da numeração romana que lhe indicava os quartos de hora.
Estava estupefacta. O seu relógio preferido estava vazio! Completamente vazio!
Espreitou para dentro do Tempo e viu uma grande sala. No canto mais perto da porta de entrada há umas escadas em espiral que dão acesso à cave. Junto ao corrimão há uma tableta a apontar para baixo que diz ”Passado”.
Olhou para o outro canto da sala e viu outras escadas em espiral que davam acesso à parte superior do edificio, mas desta vez a tableta junto do corrimão dizia “Futuro”.
‘Passado, Futuro e…’ “Presente”. A tableta está presa à parede oposta à porta e por baixo da tableta está um relógio enorme e lindíssimo. A caixa do relógio é de uma madeira escura e cuidadosamente trabalhada. Os números de um ouro limpo e brilhante. Mas não tem ponteiros… ’Que estranho…!’
Voltou a olhar para o seu relógio, mas não adiantou de nada, o relógio continua vazio. E o relógio que tem à sua frente não lhe dava as horas…
Decidiu então que não valia a pena estar ali a olhar para os relógios. Era preferível passar à próxima entidade: o Espaço. Mas quando olha à sua volta não vê nada à excepção de um lugar ao lado do Tempo.
A rua que antes havia estado ali tinha desaparecido e no lugar ao lado do Tempo, onde antes era o Espaço havia um aviso “Pedimos desculpa pelo incómodo mas mudamo-nos para um lugar mais oportuno”. ‘Um lugar mais oportuno…? Mas este lugar era óptimo…’.
‘Tempo certo… Lugar oportuno…’
Voltou ao Tempo.
A rua tinha desaparecido e não há mais nada se não o Tempo encerrado e o lugar onde antes costumava estar o Espaço. O Tempo continua “Encerrado” e, não tendo outra alternativa, resolveu-se em esperar.
Sentou-se à porta e pôs-se a olhar para o vazio que tem à sua frente, enquanto espera pela hora certa.
18/08/2009
Pombos Correio
A origem da columbofilia remonta ao antigo Egipto, onde os pombos correio eram vistos como um meio de comunicação. E eram um elemento muito importante em cenários de guerra.
Com o avançar da tecnologia e com o aparecimento de novas formas de comunicação como telegrafo e o telefone os pombos correio foram perdendo a sua utilidade inicial e a columbofilia foi sendo vista mais como um desporto.
Um pombo-correio é diferente dos pombos comuns. Um pombo-correio tem uma penugem mais macia e sedosa, tem um voo particular e um grande sentido de orientação, anatomicamente são mais desenvolvidos, são mais rápidos (podem percorrer de 700 a 1.000 km/dia, a mais de 90 km/hora), têm uma maior vivacidade, não se afastam muito do pombal e ‘respondem’ quando chamados pelo columbófilo.
Os pombos correio, quando largados seja onde for, voltam sempre para o pombal de origem. Independentemente de conhecerem o lugar de onde são largados os pombos voltam para o seu pombal, a grande questão é: como é que conseguem chegar ao pombal, quando não conhecem o sitio onde estão? Os cientistas apontam como razões muito prováveis para este facto a orientação pela posição do sol, pelo campo magnético terrestre, pelo olfacto e pela memória espacial (os pombos correio têm uma excelente memória).
Costuma dizer-se que os pormenores fazem a diferença e a verdade é que são os pormenores e as pequenas contribuições que muitas vezes decidem guerras!
Durante a 2ª Guerra Mundial houve uma altura em que as coisas não estavam muito boas para os aliados. As coisas começaram a melhorar quando a Enigma foi quebrada.
O problema é que a análise dos documentos alemães era ‘trabalho de bastidores’, porque, para aqueles que estavam no terreno as coisas melhoravam ou pioravam consoante a situação… E a verdade é que, mais que uma vez, os heróis de campo foram os pombos correio.
Os novos meios de comunicação podiam ser muito modernos e muito práticos mas tinham um grande ponto fraco: o conteúdo da comunicação podia ser facilmente interceptado e escutado pelo exército inimigo, o que significa que as comunicações não eram seguras.
Então os aliados largavam pombos correio, com as mensagens que queriam enviar, do local de onde estavam e os pombos voavam para Londres para as entregar.
Os alemães sabiam disto (pois também usavam os pombos) e tomaram medidas: começaram a matar pombos correio e usavam falcões para os caçar.
Quando os aliados soubera que os seus pombos estavam a ser abatidos começaram a disfarçar os seus pombos em pombos alemães. Os pombos correio eram identificados pelo tipo de cápsula onde era colocada a mensagem. Então os aliados libertavam pombos com menos capacidades físicas na Alemanha e estes como não tinham resistência para voltar para Inglaterra de seguida, tentavam integrar-se nas comunidades de pombos correio locais. Quando os alemães os usavam pensando serem seus e os largavam em Inglaterra, os pombos voavam para o seu pombal. Quando lá chegavam traziam cápsulas alemães. Assim, não só os aliados ficaram a saber que cápsulas eram como também tiveram acesso a mais informação. Sabendo como eram as cápsulas alemãs começaram a usa-las em alguns pombos para que os alemães os confundissem com os seus e não os matassem.
A contribuição dos pombos foi fundamental para a vitória dos aliados e abaixo estão algumas das suas mais importantes contribuições.
Quando os aliados precisaram de avisar que a missão do dia D tinha sido bem sucedida enviaram um pombo com a noticia, pois as comunicações não eram seguras.
Houve outro pombo que impediu a morte de muitos militares e civis ao entregar uma mensagem que dizia que os aliados não bombardeassem vila Italiana de Calvi Vecchia como estava programado, porque esta já havia sido tomada por um batalhão inglês.
Houve ainda outro pombo que salvou 2000 soldados que estavam cercados por tropas alemães e devido a uma falha técnica não pedir ajuda. O pombo voou até Inglaterra com a informação exacta da localização dos soldados e estes puderam ser auxiliados.
Muitos dos pombos que contribuíram na 2ª Guerra Mundial receberam medalhas de mérito pelos serviços prestados.
Estas são apenas algumas histórias de muitas que infelizmente já se perderam no tempo mas que de qualquer maneira é sempre interessante conhecer.
Para quem estiver interessado encontrei este vídeo sobre os pombos na 2ª Guerra (está em espanhol…)
http://video.google.it/videoplay?docid=6778684390585578610
Quem quiser saber mais sobre pombos correio pode ver
http://www.avespt.com/p/columb_columbofilia.asp
02/08/2009
Passado... Presente... Futuro...
Há demasiado calor e demasiados dias de férias o que faz com que a minha preguiça aumente...
Tenho pena de não ter ficado com uma cópia de todos os textos que lá tinha, mas fiquei feliz por saber que pelo menos uma parte infinitesimal foi salva.
Belos tempos... Foi uma altura em que eu postava com uma frequência razoável e a minha imaginação trabalhava a um ritmo aceitável :P
Mas isso é passado, agora!
O presente é o Método.
Abri agora o bloco e descobri algumas ideias. Umas que nunca cheguei a publicar e outras de que ainda comecei a falar e que quero falar melhor e melhorar a anterior explicação.
Quero aproveitar bem estas férias!
Vou olhar para as ideias antigas e ver o que posso reciclar, certamente surgirão ideias novas dessa reciclagem... É tudo uma questão de oportunidade e teimosia!
Pode ser que, dentro de poucos dias surjam postes mais relacionados com a ciência.
O Futuro... Bem, deixemos isso para depois! ;P
19/07/2009
Texto de Reflexão...
Há já algum tempo que ando a pensar escrever sobre religião. Mas o que escrever? E sobre o quê concretamente?
O mais provável é que seja um erro eu estar a faze-lo, mas enfim… A minha caixa de comentários está sempre aberta à crítica, portanto cá vai…
A semana passada fui abordada por um casal de estudantes estrangeiros, estavam a fazer um inquérito e a divulgar um conceito novo de Deus, assim me parece, chamavam-lhe Deu Mãe, argumentavam baseados na Bíblia, enfim não fiquei a ouvir a explicação completa.
A rapariga, quando me abordou, perguntou-me se eu acreditava em Deus. Bem, eu respondi-lhe a verdade: Não sei! E a verdade é que, não faço a menor ideia!
A rapariga olhou para mim admirada.
Há quem acredite em Deus e quem não acredite; eu simplesmente não sei! Mas sinceramente não me preocupo muito com essa questão.
Respondi ao inquérito como católica não praticante, que é o que sou teoricamente.
Quando me perguntam qual é a minha religião eu, meio a brincar, digo que sou Matemática.
O que eu quero dizer é que, eu acredito na Ciência e no Homem. Não quero com isto dizer que nego a possibilidade de existir um Deus! Nada disso. Todos nós temos que encontrar respostas às nossas dúvidas e temos que acreditar em algo. E acho que cada um deve ser livre de encontrar as suas respostas onde acha de devem estar.
Não li a Bíblia, pode ser que a leia um dia destes.
A Bíblia foi uma obra escrita por homens, certamente homens que também procuravam respostas. No fundo a Bíblia é uma versão, uma história, uma teoria de como o homem poderia ter surgido na Terra, de como poderíamos ter sido criados.
Não tenho a certeza se se pode basear uma crença num livro… Acho que se pode acreditar apenas por se acreditar, porque algo nos diz que sim ou porque de certa forma se teve algum tipo de prova …
Penso que nada deve ser feito em nome de Deus, ou para agradar a Deus. E já nem falo do fanatismo, ou das ‘Guerras Santas’ ou em matar em nome de Deus. Como diria Saramago: “Matar em nome de Deus, é fazer dele um assassino!”.
Mas por exemplo quando se está numa missa e o padre diz algo do género:”Fazer o Bem para agradar a Deus”. Na minha opinião as pessoas devem fazer o Bem, porque é o correcto, porque devemos sempre respeitar-nos a nós e respeitar o próximo.
Por isto também não reconheço os confessionários. Acho que deve ser uma maneira muito prática de cuscar a vida alheia… Nunca me confessei, mas acho que não é por alguém rezar três Ave-Marias e dois Pai- Nossos que o pecado que cometeu deixará de ter efeito. Penso que Deus não contabiliza Ave-Marias e Pai-Nossos. Caso Deus exista o que contabilizará, penso que sejam arrependimentos sinceros e não perdões comprados. Acredito que amenize o sentimento de culpa ouvir alguém dizer que com X Ave-Marias e Y Pai-Nossos se está perdoado, mas as coisas não funcionam assim.
Existe uma diferença entre o arrependimento sincero e o perdão comprado: normalmente quem se arrepende verdadeiramente dificilmente voltará a cometer o erro. Mas se alguém acreditar que pode comprar o perdão, então é o mesmo que dizer que pode pecar agora e rezar depois, que as contas serão saldadas!
Não é minha intenção ferir susceptibilidades. Este é apenas um texto de reflexão.
04/07/2009
O Tempo
03:57am.
Esta foi a hora a que, já exausto, se foi deitar. Sabia que a situação não se podia prolongar mais. Sabia que o seu corpo e a sua cabeça não aguentariam muito mais. Ambos começavam a dar sinais de que as 3 horas de sono diário de que estava a usufruir, havia oito dias, não estavam a ser suficientes.
“Não há nada a fazer! Mais três dias, só preciso de aguentar mais três dias” Pensava enquanto se dirigia à casa de banho para urinar e escovar os dentes. “Sim, mais três dias e estará pronto!”
Acendeu a luz, olhou-se no espelho e pensou já se vira com melhor aspecto. O homem que o olhava de volta tinha um ar gasto e desleixado, parecia ter mais idade do que aquela que realmente tinha. A barba não era feita há quatro dias, “Terei que a fazer quando acordar!”
Fez o que tinha a fazer e foi deitar-se.
Nem acendeu a luz quando chegou ao quarto. Apenas apagou a luz do corredor, dirigiu-se à cama, deitou-se e dormiu.
O sono não pode esperar mais.
É isto que acontece quando o nosso tempo é controlado por outros, quando temporariamente o tempo que é nosso deixa de nos pertencer. Ficamos velhos, gastos e mal tratados!
Roubam-nos anos de vida. Os mesmos anos a mais que o homem que estava no espelho tinha.
06:04am.
Toca o telemóvel.
“Sim?”, disse a custo ainda meio a dormir.
“O prazo foi reduzido. Amanhã as 19:00 tem que estar concluído e em cima da mesa do chefe.”
Envelhecerá um pouco mais nessa noite!