20/02/2010

Uma Janela Para o Infinito


Há umas semanas acabei de reler um livro que tem por titulo "Uma janela para o infinito".
Comprei-o por ser uma espécie de biografia de George Cantor, um dos meus matemáticos preferidos. O livro fala sobre um matemático que é internado numa clínica psiquiátrica e que ganha como companheiro de quarto um soldado francês.
Fiquei fascinada quando li o livro pela primeira vez! As matemáticas que Cantor criou ou descobriu, dependendo da perspectiva, são fascinantes. O livro não fala de toda a matemática produzida pelo senhor, mas permite-nos ter uma ideia muito clara e muito bela sobre a noção de conjunto e sobre o infinito.
Antes de Cantor o infinito era encarado como uma espécie de tabu pelos matemáticos, ninguém sabia muito bem como deveria tratar o problema. Quando Cantor apareceu com as suas ideias foi ridicularizado, pois os conceitos eram novos e inovadores, mas a verdade é que o seu contributo foi importantíssimo, ao ponto de um dos grandes matemáticos da sua época ter dito "Ninguém nos poderá expulsar do Paraíso que Cantor criou." (David Hilbert).
Mas voltando ao livro em questão!
Fiquei fascinada também por perceber que é um livro que fala acima de tudo do ser humano e das suas fragilidades. Um livro que nos questiona sobre nós mesmos, o que somos, quais os nossos limites...

A matemática em questão é explicada de maneira simples e acessível, qualquer pessoa que tenha uma mente aberta e não tenhas preconceitos relativamente à matemática, facilmente entenderá o que é explicado.
Ok, é uma matemática diferente à que é dada até ao 12º, mas talvez seja mais simples e haverá um ou dois momentos em que algumas respostas serão menos óbvias e de certa forma estranhas, por falta de expressão melhor. Mas isso faz parte do charme da Matemática.
Deixo aqui um excerto para aguçar a curiosidade:

"...sempre estive convencido de que temos algo que ver com o infinito.
A voz de Herr Singer engrossou.
-Quando digo «temos», quem é o «nós»? Pois bem, o senhor, eu, toda a gente. Os homens. É mesmo a nossa principal característica. Creio que é esse conluio com o infinito que faz de nós os homens que somos, sem dúvida, mais que a certeza de morremos um dia. Talvez as duas coisas estejam ligadas, quem sabe?... (...)
-Isto é tanto mais verdade nos homens que foram encaminhados, como nós, para estabelecimentos de cuidados de saúde deste tipo: os insanos, os nervosos,os alienados têm, mais do que os outros, algo que ver com o infinito. É mesmo o seu tópico mais premente. Porquê?"
Uma Janela Para o Infinito, Denis Guedj

Já agora onde há mais pontos: num quadrado ou numa das suas arestas?
Esta foi uma das questões a que Cantor deu resposta, e uma resposta bastante improvável diga-se, mas ao mesmo tempo bastante interessante!
É um livro que aconselho vivamente!

4 comentários:

antonio - o implume disse...

As coisas que esta miúda lê!...

Metódica disse...

:D

Mas não se preocupe António que o seu blogue estará sempre no meu top 10 de leituras favoritas ;)

cremilda disse...

Onde voce comprou o livro?

Metódica disse...

http://www.wook.pt/ficha/uma-janela-para-o-infinito/a/id/204316

Aqui poderá encontrar o livro :)