18/08/2009

Pombos Correio

Não gosto nada de pombos, mas há alguns dias descobri que tiveram um papel importante durante a 2ª Guerra Mundial. Fiquei curiosa e fui investigar…
A origem da columbofilia remonta ao antigo Egipto, onde os pombos correio eram vistos como um meio de comunicação. E eram um elemento muito importante em cenários de guerra.
Com o avançar da tecnologia e com o aparecimento de novas formas de comunicação como telegrafo e o telefone os pombos correio foram perdendo a sua utilidade inicial e a columbofilia foi sendo vista mais como um desporto.
Um pombo-correio é diferente dos pombos comuns. Um pombo-correio tem uma penugem mais macia e sedosa, tem um voo particular e um grande sentido de orientação, anatomicamente são mais desenvolvidos, são mais rápidos (podem percorrer de 700 a 1.000 km/dia, a mais de 90 km/hora), têm uma maior vivacidade, não se afastam muito do pombal e ‘respondem’ quando chamados pelo columbófilo.
Os pombos correio, quando largados seja onde for, voltam sempre para o pombal de origem. Independentemente de conhecerem o lugar de onde são largados os pombos voltam para o seu pombal, a grande questão é: como é que conseguem chegar ao pombal, quando não conhecem o sitio onde estão? Os cientistas apontam como razões muito prováveis para este facto a orientação pela posição do sol, pelo campo magnético terrestre, pelo olfacto e pela memória espacial (os pombos correio têm uma excelente memória).

Costuma dizer-se que os pormenores fazem a diferença e a verdade é que são os pormenores e as pequenas contribuições que muitas vezes decidem guerras!
Durante a 2ª Guerra Mundial houve uma altura em que as coisas não estavam muito boas para os aliados. As coisas começaram a melhorar quando a Enigma foi quebrada.
O problema é que a análise dos documentos alemães era ‘trabalho de bastidores’, porque, para aqueles que estavam no terreno as coisas melhoravam ou pioravam consoante a situação… E a verdade é que, mais que uma vez, os heróis de campo foram os pombos correio.
Os novos meios de comunicação podiam ser muito modernos e muito práticos mas tinham um grande ponto fraco: o conteúdo da comunicação podia ser facilmente interceptado e escutado pelo exército inimigo, o que significa que as comunicações não eram seguras.
Então os aliados largavam pombos correio, com as mensagens que queriam enviar, do local de onde estavam e os pombos voavam para Londres para as entregar.
Os alemães sabiam disto (pois também usavam os pombos) e tomaram medidas: começaram a matar pombos correio e usavam falcões para os caçar.
Quando os aliados soubera que os seus pombos estavam a ser abatidos começaram a disfarçar os seus pombos em pombos alemães. Os pombos correio eram identificados pelo tipo de cápsula onde era colocada a mensagem. Então os aliados libertavam pombos com menos capacidades físicas na Alemanha e estes como não tinham resistência para voltar para Inglaterra de seguida, tentavam integrar-se nas comunidades de pombos correio locais. Quando os alemães os usavam pensando serem seus e os largavam em Inglaterra, os pombos voavam para o seu pombal. Quando lá chegavam traziam cápsulas alemães. Assim, não só os aliados ficaram a saber que cápsulas eram como também tiveram acesso a mais informação. Sabendo como eram as cápsulas alemãs começaram a usa-las em alguns pombos para que os alemães os confundissem com os seus e não os matassem.
A contribuição dos pombos foi fundamental para a vitória dos aliados e abaixo estão algumas das suas mais importantes contribuições.
Quando os aliados precisaram de avisar que a missão do dia D tinha sido bem sucedida enviaram um pombo com a noticia, pois as comunicações não eram seguras.
Houve outro pombo que impediu a morte de muitos militares e civis ao entregar uma mensagem que dizia que os aliados não bombardeassem vila Italiana de Calvi Vecchia como estava programado, porque esta já havia sido tomada por um batalhão inglês.
Houve ainda outro pombo que salvou 2000 soldados que estavam cercados por tropas alemães e devido a uma falha técnica não pedir ajuda. O pombo voou até Inglaterra com a informação exacta da localização dos soldados e estes puderam ser auxiliados.
Muitos dos pombos que contribuíram na 2ª Guerra Mundial receberam medalhas de mérito pelos serviços prestados.
Estas são apenas algumas histórias de muitas que infelizmente já se perderam no tempo mas que de qualquer maneira é sempre interessante conhecer.

Para quem estiver interessado encontrei este vídeo sobre os pombos na 2ª Guerra (está em espanhol…)
http://video.google.it/videoplay?docid=6778684390585578610

Quem quiser saber mais sobre pombos correio pode ver
http://www.avespt.com/p/columb_columbofilia.asp

11 comentários:

alf disse...

As coisas interessantes que descobres enquanto estás de férias!

Os ingleses ganharam ao longo da História a fama de grandes vigaristas. Sempre com grandes vantagens para eles. Ainda hoje, Londres tem fama de ser a cidade que acolhe todos os grandes vigaristas financeiros. Não é por acaso que o Vale e Azevedo lá foi parar.

Os alemães realmente nunca se iriam lembrar de trocar pombos... deviam achar que isso era fazer «batota»

Metódica disse...

eheh

Bem, lá está!
'Na guerra e no amor tudo é permitido' só é preciso ter imaginação :P

alf disse...

Eheh, boa citação.

Lembrei-me de uma coisa; tu dizes:
"Os cientistas apontam como razões muito prováveis para este facto a orientação pela posição do sol, pelo campo magnético terrestre, pelo olfacto e pela memória espacial"; não seria mais exacto dizer: «não se faz ideia nenhuma dos mecanismos envolvidos no processo de orientação dos pombos ou de qualquer outra espécie»?

Porque essa é que é verdade. Mas isso é impossível de dizer, não é? as duas palavras «não sabe» nunca se podem aplicar à Ciência, não é? E porquê?

Metódica disse...

Segundo as minhas pesquisas esses são considerados os factores mais prováveis, tendo em conta as experiências realizadas (algumas mencionadas mo vídeo do link).

'as duas palavras «não sabe» nunca se podem aplicar à Ciência, não é?'

Não. Quando não se sabe podem colocar-se hipóteses e testa-las, mas se não se sabe não se sabe; não se vai estar a inventar e/ou a vender banha da cobra.
O mais correcto dizer é 'não se sabe ainda'. ;)

antonio - o implume disse...

Mais do que sentido de orientação é a saudade que os guia até casa. Tens a certeza que são originários do Egipto?

O Vale e Azevedo é um pombo que não regressará ao seu pombal...

Metódica disse...

António

Não são originários de lá. O que se diz é que a utilização de pomcos como correios remonta a essa época...(foi o que encontrei num site, mas agora q chama a atenção para isso é um pouco estranho... não sabia que havia pombos no egipto... realmente os pombos são uma praga!!! :( )

Metódica disse...

António

vou investigar melhor o assunto :)

alf disse...

"Quando não se sabe podem colocar-se hipóteses e testa-las, mas se não se sabe não se sabe; não se vai estar a inventar e/ou a vender banha da cobra."

Isso é o que deveria ser mas não é nem pode ser.

O que se tem concluido das hipóteses testadas sobre a orientação dos animais é que são todas falsas. Logo, não se sabe. E não se faz ideia de como será.

Mas para o público não se pode dizer isso; então fazem-se interessantes filmes a mostrar como funcionaria determinada hipótese, mas é tudo filmes de ficção. Não vi o que pões, mas já muitos outros.

E vende-se banha da cobra. As hipóteses da matéria negra, energia negra, inflacção, são perfeita «banha da cobra». Com um dia saberás.

Mas a verdade é que não se poderia fazer de outra maneira. A Ciência não pode mesmo dizer que «não sabe». Os seus «crentes» não o aceitariam.

Não estou a criticar a «Ciência» estou a revelar a natureza das pessoas. É por causa das pessoas serem como são que a ciência não pode dizer às pessoas que não sabe isto ou aquilo e tem de surgir como um oráculo de certezas.

Porque a humanidade é uma massa de predadores que só se mantém unida e relativamente em paz se sentir que há uma Sabedoria que se lhe sobrepõe. Só a ideia de «Deus» ou do «Saber Absoluto» seguram esta malta... a alternativa é a força bruta.

Já imaginaste o que aconteceria se a Ciência se puzesse a dizer as aflições porque passa, com uma teoria cosmológica que falha em toda a linha, uma teoria atómica que chegou a um beco sem saída, uns pombos que encontram o caminho para casa sem se saber como raio o conseguem... daria para fazer um romance muito mais assustador do que o «Ensaio sobre a Cegueira».

antonio - o implume disse...

Queres vir ao jantar do 2711 no Porto?

Metódica disse...

Que evento é esse??

Metódica disse...

Luís

Tenho uma teoria para explicar como os pombos encontram o caminho para casa. Gostaria de por em pratica uma ou duas experiencias mas nao tenho como. Cpts

Luís, obrigada pelo seu comentário não o publiquei integralmente devido aos contactos que lá introduziu...
Eu não sou entendida em pombos (nem gosto deles...), o melhor talvez fosse contactar um colombófilo, seria a pessoa mais qualificada para o ajudar.
Boa sorte!