Há já algum tempo que ando a pensar escrever sobre religião. Mas o que escrever? E sobre o quê concretamente?
O mais provável é que seja um erro eu estar a faze-lo, mas enfim… A minha caixa de comentários está sempre aberta à crítica, portanto cá vai…
A semana passada fui abordada por um casal de estudantes estrangeiros, estavam a fazer um inquérito e a divulgar um conceito novo de Deus, assim me parece, chamavam-lhe Deu Mãe, argumentavam baseados na Bíblia, enfim não fiquei a ouvir a explicação completa.
A rapariga, quando me abordou, perguntou-me se eu acreditava em Deus. Bem, eu respondi-lhe a verdade: Não sei! E a verdade é que, não faço a menor ideia!
A rapariga olhou para mim admirada.
Há quem acredite em Deus e quem não acredite; eu simplesmente não sei! Mas sinceramente não me preocupo muito com essa questão.
Respondi ao inquérito como católica não praticante, que é o que sou teoricamente.
Quando me perguntam qual é a minha religião eu, meio a brincar, digo que sou Matemática.
O que eu quero dizer é que, eu acredito na Ciência e no Homem. Não quero com isto dizer que nego a possibilidade de existir um Deus! Nada disso. Todos nós temos que encontrar respostas às nossas dúvidas e temos que acreditar em algo. E acho que cada um deve ser livre de encontrar as suas respostas onde acha de devem estar.
Não li a Bíblia, pode ser que a leia um dia destes.
A Bíblia foi uma obra escrita por homens, certamente homens que também procuravam respostas. No fundo a Bíblia é uma versão, uma história, uma teoria de como o homem poderia ter surgido na Terra, de como poderíamos ter sido criados.
Não tenho a certeza se se pode basear uma crença num livro… Acho que se pode acreditar apenas por se acreditar, porque algo nos diz que sim ou porque de certa forma se teve algum tipo de prova …
Penso que nada deve ser feito em nome de Deus, ou para agradar a Deus. E já nem falo do fanatismo, ou das ‘Guerras Santas’ ou em matar em nome de Deus. Como diria Saramago: “Matar em nome de Deus, é fazer dele um assassino!”.
Mas por exemplo quando se está numa missa e o padre diz algo do género:”Fazer o Bem para agradar a Deus”. Na minha opinião as pessoas devem fazer o Bem, porque é o correcto, porque devemos sempre respeitar-nos a nós e respeitar o próximo.
Por isto também não reconheço os confessionários. Acho que deve ser uma maneira muito prática de cuscar a vida alheia… Nunca me confessei, mas acho que não é por alguém rezar três Ave-Marias e dois Pai- Nossos que o pecado que cometeu deixará de ter efeito. Penso que Deus não contabiliza Ave-Marias e Pai-Nossos. Caso Deus exista o que contabilizará, penso que sejam arrependimentos sinceros e não perdões comprados. Acredito que amenize o sentimento de culpa ouvir alguém dizer que com X Ave-Marias e Y Pai-Nossos se está perdoado, mas as coisas não funcionam assim.
Existe uma diferença entre o arrependimento sincero e o perdão comprado: normalmente quem se arrepende verdadeiramente dificilmente voltará a cometer o erro. Mas se alguém acreditar que pode comprar o perdão, então é o mesmo que dizer que pode pecar agora e rezar depois, que as contas serão saldadas!
Não é minha intenção ferir susceptibilidades. Este é apenas um texto de reflexão.