19/03/2008

Criada ou Descoberta?


Existe uma grande questão filosófica à cerca da Matemática: Será que a Matemática foi criada ou será que, pelo contrário, foi descoberta?
Hoje resolvi publicar a minha opinião...
Eu acho que a Matemática não foi criada, mas sim descoberta. E porquê?
Se a Matemática tivesse sido criada, poderia ter sido criada por nós, seres racionais, ou por uma entidade divina.
Por nós não foi criada de certeza, pois a Matemática não é como nós queremos que seja, é como é, e temos que nos conformar com esse facto.
O que eu quero dizer é que se a matemática tivesse sido criada por nós, nós teríamos a capacidade de fazer com que um resultado fosse o que nos desse mais jeito ou que fosse o desevel, através da alteração do procedimento usado... Ora, isto é impossível. Quando se chega a um resultado é esse e pronto! Não há alteração de procedimento que altere o resultado obtido inicialmente.
Claro que se dissermos que foi criada por uma entidade divina este argumento perde validade, pois aí quem decidiria sobre a Matemática seria a tal entidade divina.
Mas, será que se nós não existíssemos deixaria de haver Matemática? Não, até porque continuaria a haver a tal entidade divina e se fosse essa a criar a Matemática, esta continuaria a existir. Mas, es e se nem nós nem a tal entidade divina existíssemos? Se só existisse o espaço físico que nos rodeia? Claro que continuaria a haver matemática! Continuariam a haver plantas e animais e a Matemática está presente em toda a Natureza. Se não existíssemos haveria Natureza e se a Matemática está presente na Natureza então continuaria a haver Matemática.
Podemos pensar: E aquela Matemática um pouco estranha que não se precebe muito bem, aquela que é um pouco abstracta?
Pode não se usar todos os dias como as operações de multiplicar e de soma que usamos diariamente, mas o que é certo é que essa Matemática mais abstracta funciona em termos práticos. Por exemplo em Matemática existe o conceito de limite. E nos primeiros tempos em que foi usado havia um bispo que criticava os matemáticos, pois estes diziam que a igreja rezava a um Deus do qual não haviam provas concretas da sua existência, mas os matemáticos estavam a usar uma coisa que não sabiam muito bem o que era, embora resultasse na prática. Portanto o limite é um conceito um pouco abstracto, mas resulta na pratica.
A "honra do convento" foi salva porque houve depois um matemático que disse que o limite era como se fosse uma aproximação.
Galileu custumava dizer que Deus era um grande geómetra e que o Universo estava escrito em linguagem matemática.
Se existe Deus ou não, não sei, e se este, caso exista, é geómetra ou não também não sei. Mas que o Universo está escrito em linguagem matemática, isso está de certeza =D

15 comentários:

alf disse...

Isto dá pano para mangas!

A Matemática é uma coisa fantástica; mas, contrariamente ao conceito de Deus, a Matemática não é toda-poderosa. Ignorar isso é um grave erro que tem afectado o deenvolvimento do conhecimento, por razões que vou procurar mostrar no meu próximo post.

Já que falaste nessa famosa frase do Galileu, creio que há alguma deturpação da ideia do Galileu, que se institucionalizou porque conveniente ao processo de "deidificação" da matemática.

Tanto qt me lembro (já lá vão tantos anos...) a verdade é a seguinte:

Galileu andava a ver se percebi porque raio é que os planetas descreviam trajectórias circulares em torno do Sol, e os satélites em torno dos planetas.

A noção da campo gravítico ainda não existia, lembremos. Nem a noção de movimento inercial. Como seria o movimento de um corpo na ausência de atrito? Isso era algo que não se podia observar na Terra.

O que é mais parecido com o movimento de um corpo sem atrito? O movimento dos planetas, é claro! Pois movem-se há séculos e séculos sem que nenhum atrito os faça parar!

Mas se o movimento sem atrito é o movimento dos planetas e este se faz segundo circunferências, conjecturou Galileu que um corpo na ausência de atrito teria um movimento circular!!!

Daí a ideia de Galileu de que as propriedades do Universo se deveriam descrever com recurso às figuras geométricas! Que os símbolos com que se descrevia o Universo eram os da Geometria!

antonio disse...

No início da nossa consciência começamos por ser tudo e tudo nos estava subordinado.

Mas Copérnico roubou-nos o centro do universo e atirou-nos para a periferia, Darwin roubou-nos o lugar da criatura predilecta de Deus e remeteu-nos para descendente de um qualquer macaco, Freud roubou-nos o poder de decisão e remeteu-nos para a ditadura do inconsciente, Nietzsche deixou-nos órfãos de Deus e abandonados neste universo.

A matemática como a ciência só podem ser obra da besta... (isto é só uma provocação, mas talvez te ajude a ir mais longe.)

Metódica disse...

Alf:
Vou esperar pelo seu post =)

Ficou desvendado o mistério de um Deus geometra eheh

Metódica disse...

António:
Resumidamente está a dizer que somos uns desgraçadinhos a quem tiraram tudo e que a culpa é da ciência porque permite fundamentar todas essas verdades horrorosas que umas pessoas que não tinham mais nada que fazer disseram =P
eheh

agradeço a provocação =)

Apache disse...

Hum… Interessante… Será que podemos descobrir algo que não tenha sido criado? Se descobrimos é porque existe, logo foi criado antes da nossa descoberta. Ou não?
Galileu disse que o Universo estava escrito em linguagem matemática e eu acrescento que esta linguagem, como as outras tem muitas “figuras de estilo”.

Metódica disse...

Apache bem vindo!

Tem lógica...
Sendo assim terá sempre que ter sido criada...

antonio disse...

Raiz, talvez eu esteja a dizer que devemos levar as coisas a sério, sem nos levarmos demasiado a sério.

Voltarei, provocativo... ou não.

alf disse...

O que o António disse é muito importante e é a constatação de que todos os grandes avanços do nosso conhecimento, todas as revoluções do conhecimento, se fizeram derubando um qq pilar da nossa arrogância.

Quando olhamos para o passado rimo-nos desses pilares derrubados, perguntamos como podem os humanos terem sido tão arrogantes, pensarem-se no centro do Universo, criações especialíssimas de um Deus cuja unica razão de existir seria criar o Homem, etc.

Mas cuidado! O maior pilar é o que ainda falta derrubar! E quando ele for exposto no meu blogue, eu sempre quero ver se vão conseguir rir dele. (eu vou dar outros pilaretes para o choque não ser demasiado grandes, mas mesmo assim, muita gente nunca aceitará o derrube deste pilar)

Metódica disse...

António:
Levar as coisas a sério, sem nos levarmos demasiado a sério pode ser um bom método =)

Provocativo ou não, é sempre bem vindo!

Metódica disse...

Alf

Há pilares que têm que ser derrubados e verdades que têm que ser ditas!
A verdade não faz jeitos nem favores a ninguém e é uma só, quer se goste ou não.
Fico à espera dos posts =)

Coronato disse...

Estava com saudades de suas divagações!
Fiquei muito feliz com essa sua nova investida virtual. E cá estarei sempre lendo-te e filosofando com tuas letras!
Grande abraço!
Thiago (www.estudantedemedicina.blogger.com.br)

Metódica disse...

Thiago seja bem vindo =)

solelua disse...

A matemática é a resposta que o ser humano criou para a resolução dos problemas que foram aparecendo ao longo do tempo.
Se não existissemA matemática é a resposta que o ser humano criou para a resolução dos problemas que foram aparecendo ao longo do tempo.
Se não existissemos, claro que não havia matemática, pois embora lá estivesse a essência, o ser irracional não a saberia usar, ou apenas não a identificaria como nós.
O universo pode ser lido com linguagem matemática, mas foi um humano, que assim o especificou, que o estudou, e que traçou que Deus, a quem ainda não te identificas, quando criou o mundo foi metódico, ao ponto de tudo ter uma razão.os, claro que não havia matemática, pois embora lá estivesse a essência, o ser irracional não a saberia usar, ou apenas não a identificaria como nós.
O universo pode ser lido com linguagem matemática, mas foi um humano, que assim o especificou, que o estudou, e que traçou que Deus, a quem ainda não te identificas, quando criou o mundo foi metódico, ao ponto de tudo ter uma razão.

Metódica disse...

Solelua

Se não existissemos continuaria a haver Matemásica sim. Lá por uma coisa não ser usada, ou não ser identificada não quer dizer que não exista. Por exemplo o DNA foi descoberto à relativamente pouco tempo, anytes de se descobrir o ADN ele já existia, mas ainda não tinha sido descoberto.
Lá por não se conhecer não quer dizer que não exista.

Metódica disse...

Quando digo relativamente poucos sécculos quero dizer um ou dois séculos.